para onde a pressa nos leva?

imaginei um mundo onde não havia relógio de minutos, apenas um par de horas necessárias. quiçá o horário que o sol levanta e quando ele se vai. entre esses eventos, nada de tempo contado. apenas tempo.

onde caberia lavar as roupas que estão no balde de molho, cozinhar a lentilha com batatas, colher buchas vegetais, sentar para tomar o café passado, atender com os pares dos sentidos, ler um par de páginas do livro intrigante, caminhar uma volta no rio.

a inexistência do tic-tac sossega muitas partes minhas. e o fato de não precisar mirar as horas permite que cada coisa aconteça seguida da outra. limpeza, cozinha, colheita, trabalho, descanso, lazer, exercício.

sem tempo, lê-se tudo isso em verbos. uma cadência dentro do não cadente. um ritmo dentro do verdadeiro ritmo.

talvez a pressa não nos leve, ela nos apressa a chegar. no quê? na próxima coisa?

se for se apressar para chegar, que fosse dentro de si.

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