o encontro entre a poesia e a psicologia

a arte e a medicina do cuidado sempre estiveram presentes na minha vida. quando fui estudar psicologia na universidade, creio que nunca me passou que eu pudesse trabalhar nessa área de maneira tão artística. até porque a arte foi um presente no meu desenvolvimento pessoal, e por isso também, que a considero um verdadeiro refúgio para encontros poderosos e solitários consigo. gostaria de relembrar as artes que me escolheram e que me acompanham:

  • estudei música dos seis aos quinze anos, experimentando a flauta, teclado, e atualmente o ukulelê e a gaita de boca
  • cantei no coral infantil da comunidade em que cresci
  • dancei no grupo de danças germânicas dos seis aos dezessete anos
  • participei de concursos de oratória, poesia e histórias autorais
  • aprendi a artesania de muitas possibilidades caseiras com minha mãe e avós, como o bordado, a costura, o desenho, o cultivo de ervas, o rezo, o preparo de alimentos, a criação através do reaproveitamento de materiais

talvez de maneira sutil, a artista já vinha sendo construída em mim muito antes da terapeuta. mas as duas, bom, as duas se tornaram boas amigas.

fazem cinco anos que tenho testemunhado o impacto da arte na construção do ser no meu trabalho terapêutico.

e é dessa experimentação que venho aproximando a psicologia e a poesia cada vez mais. isso, porque estar terapeuta é um presente e sentir poeta é o que me faz construir meu presente. unir as duas coisas no meu servir foi um desencadeamento do quanto isso me compõe -quase- que igualmente. começou com trocas poéticas despretenciosas, com partilhas de poesias após atendimentos e sugestões de poesias para reflexão. seguiu com criações poéticas espontâneas durante os atendimentos e devoluções através da poesia. continuou com o uso da poesia como técnica de auto-observação ou auto-consciência e da construção conjunta de poesias sobre si-em-seu-processo.

hoje, em psicoterapia, faço uso da poesia como recurso de expressão, auto-análise, reconhecimento e validação do sujeito. por primeiras vezes, pacientes arriscam-se com as palavras e criam suas próprias poesias. com ou sem rima, mas sempre com -o próprio- ritmo. além da arte ser esse canal de conexão com a infinidade de possibilidades de se experimentar, o fato de ousar experimentar algo diferente provoca o sujeito à religar-se com seu estado de busca e expansão.

o estranhamento com e da poesia, em todos os casos, nos faz surpreender. ela é capaz de dizer com outras palavras o que por vezes queremos explicar com as mesmas. ela consegue nos descrever incrivelmente, quase como revelando nossas mais profundas narrativas.

a poesia faz uma terapia à parte.

assim, chamo essa potência, conceito e trabalho como psicopoética. a união da sabedoria da poesia com a construção da psique.

“parece ser algo além de mim,
que se curva,
um tempo,
lá tem vazio,
o mais em mim é meu passo.”

gostaria de experimentar?

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